The origin of pride

origem da nossa abordagem
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o papagaio-de-santa-lúcia

Em seu primeiro dia na ilha de Santa Lúcia, Paul Butler caminhou até a borda da floresta no extremo norte da ilha, em busca da ave que motivou sua ida àquele lugar. O endêmico papagaio-de-santa-lúcia, de colorido exuberante, uma espécie à beira da extinção, fez com que Butler saísse de sua Inglaterra natal para contar os espécimes remanescentes na ilha e conhecer melhor sobre a redução dos números de indivíduos da espécie. Em 1977, o papagaio-de-santa-lúcia havia se tornado uma visão rara, até mesmo para os moradores da ilha. Observando as árvores até o anoitecer, à procura das penas esverdeadas, do peito avermelhado e dos olhos cor de âmbar brilhantes do papagaio, Butler finalmente avistou um único papagaio-de-santa-lúcia, vendo-o levantar vôo rumo ao céu que escurecia.

Embora breve, aquela primeira aparição da ave nunca saiu da cabeça de Butler, quem um dia viria a ser conhecido em toda a ilha como o Homem Papagaio - o jovem inglês que ajudou a salvar o papagaio-de-santa-lúcia da extinção.

inspiração para nossa metodologia

Desde 1979, a Rare já implementou mais de 300 Campanhas por Orgulho em mais de 50 países, criadas para inspirar comunidades a terem orgulho do meio ambiente e da vida silvestre do local onde moram e a reunirem forças em prol da proteção de seus recursos naturais. Cada campanha tem suas raízes no trabalho de conservação iniciado por Paul Butler com o departamento florestal da ilha de Santa Lúcia.

os últimos 100

Em 1977, Butler estimou terem restado apenas entre 100 e 150 papagaios na ilha de Santa Lúcia. Depois de estudar o declínio da ave, ele apresentou recomendações para o departamento florestal, com medidas que poderiam ser colocadas em prática visando à recuperação da população do papagaio. O chefe do departamento florestal, Gabriel Charles, fez então um convite a Butler: volte para Santa Lúcia, seja nosso consultor de conservação e ajude-nos a trazer essa ave rara de volta às florestas e aos céus da ilha, em quantidade suficiente. E Butler aceitou.

o papel central das comunidades

Ele propôs um conjunto de soluções simples para proteger o papagaio-de-santa-lúcia: revisar a legislação sobre a espécie que remontava a 1885, intensificar a multa aplicada a quem mata o papagaio – na época, apenas cinco dólares norte-americanos - e criar um santuário para os papagaios, dentro de uma reserva florestal existente, para proteger seu habitat.

Para aprovar essas medidas de conservação como lei e sustentá-las em longo prazo, o departamento florestal iria precisar de apoio público. Na década de 1970, as aves eram caçadas, comidas e presas como animais de estimação e seus habitats estavam cada vez mais destruídos pela atividade humana. Assim que avistasse o papagaio, qualquer garoto morador de Santa Lúcia iria provavelmente retirar seu estilingue e atirar na ave. Butler e o departamento florestal tiveram que descobrir uma forma de inspirar os moradores da ilha a estabelecer um vínculo emocional com o papagaio, passando a considerar a ave como parte de sua identidade coletiva.

nasce o orgulho

Quando a ilha de Santa Lúcia se tornou independente em 1979, o governo declarou o papagaio-de-santa-lúcia como a ave nacional. Butler e o departamento florestal utilizaram a declaração como um trampolim para um programa de sensibilização do público em torno do papagaio. Ele e seus colegas divulgaram o valor e a beleza rara da ave para crianças em salas de aula por toda a ilha e, também, por meio das ondas do rádio para o público em geral, como convidados de programas das emissoras.

Eles criaram um mascote do papagaio, o Jacquot, que deu vida a cada um dos eventos em que promoviam a importância da conservação da ave. Eles utilizaram técnicas de marketing do setor privado adaptando-as para o uso local, exibindo o papagaio-de-santa-lúcia em outdoors, adesivos para carros, inserções em jornal, selos, chapéus, camisetas, desenho em quadrinhos, cartões postais, canecas de cerveja, chaveiros — em pouco tempo, a ave estava por todo lado.

 

impacto duradouro

Santa Lúcia abraçou firmemente o papagaio como um tesouro nacional. Entre 1977 e 1988 "a população do papagaio começou a sua recuperação lenta, mas constante", conta Butler. "Novas leis e novo respeito". O departamento florestal testemunhou novos comportamentos de conservação sendo adotados gradualmente por toda a ilha. Agora, as crianças chegam ao departamento florestal trazendo papagaios feridos, à procura de  ajuda para tratá-los.

o orgulho hoje é mais forte do que nunca

Ao longo dos anos, essas ferramentas de marketing social e sua finalidade principal — entender o lado emocional do processo de tomada de decisão de uma pessoa para mudar a sua relação com a natureza — têm evoluído dentro da Rare e continuam sendo fundamentais para a nossa abordagem. Em 1979, a Rare tomou conhecimento do quanto a ilha de Santa Lúcia valorizou o seu papagaio endêmico, um caso único no Caribe, e convidou Butler para replicar a sua estratégia de campanha visando mobilizar comunidades de outras ilhas para a proteção de suas aves, começando com o papagaio-de-são-vicente.

Posteriormente, Butler passou a integrar a equipe da Rare, trabalhando em tempo integral e baseando-se em sua experiência no Caribe para a criação do programa Orgulho, tendo escrito seu primeiro manual: Promovendo a Proteção por meio do Orgulho. Hoje, as Campanhas por Orgulho da Rare apoiam soluções inovadoras para bacias hidrográficas sustentáveis, pesca costeira, agricultura orgânica e outros temas.